Em "Salvadô", no dia 2 de fevereiro, comemora-se a Festa do Rio Vermelho. Pescadores levam oferendas ao mar para agradar à rainha das águas e obter boa sorte nas pescarias. Coincidentemente, sexta-feira, como na noite de ano novo, é dia de vestir branco, uma cor pura, para atrair boa energia. Muitos, optam por vestir azul claro, cor atribuída à Mãe D'água. Sexta é, também, dia de comida baiana, frutos do mar e arroz branco.
Em muitas culturas, oferecer comida é uma maneira de agradecer, partilhar boa sorte e abundância. Os indianos acreditam que oferecendo comida, compartilham o que possuem de melhor. Se não me engano em São Paulo, uma vez por ano, italianos e seus descendentes distribuem massas e doces. Para trazer paz e prosperidade, os japoneses distribuem um bolinho de arroz, chamado moti, que deve ser comido no primeiro dia do ano. Foi pensando em tudo isso, que nasceu o "post" de hoje, arroz branquinho, soltinho, símbolo de pureza, fartura, dádiva. E nada melhor como ilustração que a beleza simples do sofisticado arroz Basmati.
Algumas pessoas têm o dom de cozinhar arroz soltinho, qualquer arroz. Eu nunca fui muito feliz. Tentei diversas técnicas e dicas para conseguir bons resultados e nunca me dei por satisfeita. Se me encantava com o arroz de fulano ou de beltrano, pedia a receita, seguia ao pé da letra mas meu arroz saía ligadinho ou durinho, nunca ao ponto. Cheguei a acreditar que era questão de vocação como o "dedo verde" para plantas. Então, depois que casei, descobri o aromático milagroso e meus problemas se acabaram. Hoje, poderia até fazer o teste que aprendi com minha sogra, deixar um punhadinho cair no chão, para ter certeza que nenhum grão permanece grudado. Entretanto, nunca me arrisquei.